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Meritocracity: a GovTech que quer monetizar dados e melhorar o serviço público

17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. É esse o número de propósitos que a ONU (Organização das Nações Unidas) definiu, junto aos países membros – incluindo o Brasil – para serem alcançados pela comunidade internacional nos próximos anos, a fim de tornar o mundo um local mais resiliente e sustentável até 2030.

Os 17 objetivos mesclam de forma integrada as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

Eles funcionam como tarefas a serem cumpridas pelos governos e sociedade civil, setor privado e todos os cidadãos a fim de alcançar os objetivos, que contemplam 169 metas, disponíveis na Agenda 2030.

E foi com o intuito de promover instituições fortes, inclusivas e transparentes, que surgiu uma startup localizada aqui no Brasil, em Manaus, e que logo se encaixou no objetivo 16, mais precisamente na meta abaixo:

16.6. Desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes em todos os níveis 

A Meritocracity é uma GovTech que surgiu em 2018 com o objetivo de melhorar o atendimento do serviço público.

Mas como fazer isso se existe uma descrença generalizada com este setor?

A startup encontrou uma resposta, e deposita suas fichas em descaracterizar as instituições para que os cidadãos interajam diretamente com os próprios servidores que estão a frente das instituições.

Quando surgiu a ideia de engajar o cidadão para melhorar o serviço público nós sabíamos, por exemplo, que não dava para perguntar o que elas achavam do sistema de saúde. Nós já sabemos essa resposta. Mas quando mudava a tonalidade da pergunta para o que eles achavam da enfermeira ou do professor, a resposta mudava e era positiva. 

Assim teve início a criação da startup, com intuito de valorizar e promover reconhecimento olhando para os principais ativos das instituições: as pessoas. 

“Não é meritocracia subjetiva, mas baseada em dados. É promover motivação, valorização dos servidores públicos e possibilitar que os gestores façam uma série de desenvolvimentos e tenham insights a partir dessas avaliações”.

O desenvolvimento da plataforma é possível graças a Lei da Transparência.

Por meio dela qualquer pessoa pode acessar o registro de todos os servidores públicos e os cargos que eles ocupam. Com incremento da tecnologia, os dados públicos são transferidos para a plataforma da Meritocracity, onde são criados perfis dos servidores. 

A carta na manga da startup é, justamente, contar com um servidor na equipe que fundou a Meritocracity. “Há seis anos ele trabalha como servidor público e, por isso, passamos por alguns processos legais para manter ele na equipe”, explica.

Até o final do primeiro semestre, a startup pretende estar em outras seis localidades diferentes de Manaus. A partir disso, o próximo passo é entregar esse valor para a região Norte do país.

Gamificação: como engajar os servidores oferecendo recompensa

Entre os servidores, a ideia de ser avaliado cria estranheza, mas João afirma que a barreira é quebrada após o esclarecimento do propósito e, principalmente, diante da proposta de uma recompensa.

“Existe uma barreira com alguns servidores que são mais resistentes. Por outro lado, os que gostam de tecnologia e são mais abertos à inovação são mais receptivos. Fizemos uma pesquisa com 150 servidores sobre o que eles achavam da Meritocracity, e pela recompensa que será oferecida com as avaliações, eles passam a gostar”.

Com o uso da gamificação eles pretendem manter os servidores engajados a utilizar o app e manter seus perfis atualizados. Além disso, tocam em outra ferida exposta no serviço público.

“Existem servidores que trabalham há anos e nunca receberam uma recompensa. Quando perguntamos o que eles gostariam de ser recompensados, em primeiro lugar eles responderam cursos de capacitação, na frente de dinheiro e viagens, e isso nos causou surpresa”.

Por enquanto, a proposta da Meritocracity já foi apresentada ao servidores do Ministério Público de Manaus, na Secretaria de Administração do Amazonas e onde eles consideram a principal maneira de aplicar a proposta da GovTech: no gabinete dos deputados e vereadores.

“Nós fizemos uma apresentação para um deputado estadual. Identificamos essa como a principal maneira de entrarmos nesse mercado, já que o método de contratação deles não necessita de licitação”. 

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Meritocracity 3D

Na plataforma, as avaliações foram desenvolvidas em um modelo nomeado pela startup como 3D.

Os servidores podem avaliar quem está no mesmo nível hierárquico ou superior, podem avaliar a si mesmos e também podem avaliar a instituição pública em que trabalham. Já o voto dos cidadãos é direcionado apenas para os servidores.

Para eliminar possíveis votações tendenciosas, as avaliações têm métricas diferentes, para que gerem resultados relevantes.

“Dessa forma, com o órgão público cadastrado e com a possibilidade de avaliar quem está lá dentro, gera o esquema de corresponsabilidade. Assim, pode-se criar, por exemplo, um ranking top 10 município ou Estado, e o gestor que quiser montar sua gestão com os melhores servidores de certo local pode utilizar essa vitrine”.

No entanto, ainda há métricas que precisam ser aperfeiçoadas antes de serem incluídas na plataforma.

“Existem setores que não conseguimos fazer avaliação. Por exemplo, como avaliar um professor? Pela aula ou pelas provas? São coisas que precisam ser bem moldadas”.

Ficha técnica da Meritocracity

Local de origem: Manaus/AM
Fundação: dezembro de 2018
Fundadores: Alessandre da Silva Martins, João Victor Silva Soares e Lucas Ribeiro Prado
Sócio: Romeu Guedes Rezende Neto
Modelo de negócio: Saas (B2C2G)

Pitch da Meritocracity

Que problema resolve: atualmente, cada órgão público autoavalia o desempenho de seus servidores uma vez por ano, de forma dispersa e burocrática, muitos ainda usam papel. A Meritocracity surge com o intuito de gerar dados baseado numa metodologia de avaliação com mais eficácia para que, por exemplo, os gestores públicos possam conhecer mais do capital humano de seus colaborados e para que também os servidores públicos sejam valorizados e reconhecidos com base em seus resultados.

Qual é o diferencial: na parte tecnológica utilizamos pilares como data science, big data e machine learning. Além de levar também assuntos não tão difundidos para a gestão pública, como o people analytics e avaliação 3D, por exemplo. Criamos o Índice de Meritocracia (IM) baseado em parâmetros padrões que possibilitam a comparação entre servidores de órgãos distintos e diferentes localidades, através da melhoria do IM nos órgãos públicos clientes podemos mensurar o nosso impacto. E contamos também com um pilar muito interessante, que é um dos nossos valores, da participação popular em nosso sistema.

Estágio atual: bootstrap, sem faturamento e em processo de validação.

Investimento X Faturamento: atualmente possui apenas o investimento dos sócios afim de manter a operação e em 2019 fizemos um crowdfunding onde conseguimos arrecadar R$ 2.000.

Mercado: O Mercado das GovTechs está em ascensão mas ao mesmo tempo é um mercado de caçada aos mamutes, os clientes são gigantes mas é preciso muita paciência e criatividade para conseguir pegá-los.

É um mercado que vai movimentar até 2025 no mundo aproximadamente US$ 400 bilhões, em contrapartida esse investimento representará uma economia global de US$ 1 trilhão para os cofres públicos a cada ano, segundo números da Accenture e McKinsey.

O nicho em que a Meritocracity se encontra também é uma crescente.

A busca de um RH que não fica resumido a números de matrícula e folhas de pagamento já é uma nova cultura, e os resultados da iniciativa privada provam o valor disso, os maiores ativos de qualquer organização são as pessoas e são nelas que focamos.

Concorrentes: Solides, ImpulseUp, QSP, Coalize e Smartleader. Desses, apenas o QSP trabalha atualmente com o setor público.

Maiores desafios X Visão de futuro: entrar em mais instituições públicas para rodar mais POCs e também promover uma condição para que todos do time possam se dedicar em tempo integral a startup.

O que vem pela frente: muita coisa boa de uma galera do Norte do Brasil que está ajudando a promover a melhoria na gestão pública, além de também vir uma campanha nacional com relação a avaliação dos servidores públicos pertencentes ao governo federal.

Para 2020 iremos ter os primeiros resultados mais efetivos com relação ao impacto da solução no setor público, esperamos estar em mais um estado da Região Norte até o final do primeiro semestre de 2020.

Onde encontrar: no site oficial da startup ou nas redes sociais (LinkedIn, Instagram e Twitter).

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