Giro

Hackathon Unimed: 9 coisas que mudaram com a maratona da cooperativa de saúde

Em duas edições do Hackathon Unimed os times validaram e desenvolveram 22 soluções para problemas considerados insolúveis pela diretoria da cooperativa de saúde.

Apresentado por:

Unimed Cascavel

Já passou pela sua cabeça que um hackathon não é para você, porque você não é um hacker? 

Pois então para esclarecer de uma vez por todas sobre o que realmente acontece e quem normalmente participa de hackathons, seja bem-vindo ao Hackathon Unimed!

A iniciativa da cooperativa de saúde deu tão certo que aconteceu recentemente pela segunda vez em Cascavel, no Paraná, provando que a inovação aberta pode ser uma maneira ágil, interessante e barata de resolver problemas da vida real.

Mas antes de contar melhor essa história, vamos partir do início.

O que é um hackathon?

O hackathon é um evento que reúne várias pessoas para resolver problemas através da competição. 

Derivado da fusão das palavras “hack” e “marathon”, na tradução livre significa maratona de programação.

Mas se engana quem pensa que o público interessado é formado apenas por desenvolvedores, nerds ou fãs de tecnologia. 

Trata-se de um evento altamente transformador para desenvolvedores, designers e representantes de setores ou de uma empresa que possuem problemas em comum. 

O evento geralmente dura entre 6 e 48 horas, com participantes divididos em grupos com 2 a 6 integrantes que trabalham em colaboração para encontrar soluções tecnológicas para problemas reais.

Não importa quem você é ou qual é sua formação, os hackathons são lugares divertidos para fazer novos amigos e trabalhar em direção a um objetivo comum. 

Os hackathons são universos intensamente sociais, alimentados tecnologicamente e fonte de novas relações entre mentores, empreendedores, acadêmicos, organizações, startups, dados e muita cafeína! 

Hackathon Unimed: inovação aberta pela saúde

Como tudo começou

Everton Garboça, gerente de projetos da Unimed Cascavel, conta que tudo começou quando a Unimed foi a São Paulo apresentar um case de planejamento estratégico e, por acaso, encontrou uma galera maratonando em um hackathon. 

Ele, que apenas tinha ouvido falar, se encantou em conhecer um hackathon na prática. 

Everton acompanhou de perto a dedicação e exaustão dessa galera pra resolver a todo custo um problema e foi o que precisou para plantar a semente com a superintendência.

Havia chegado a hora de iniciar esse movimento na Unimed Cascavel. 

Cases nascidos em hackathons realizados pela cooperativa em Belo Horizonte e Porto Alegre reforçaram a importância da Unimed puxar um projeto de inovação também na região Oeste.

Everton destaca que alguns pontos foram determinantes para garantir o sucesso da primeira edição, realizada em 2018:

  1. Parceria com o Sebrae
  2. Engajamento da equipe da Unimed 

E o objetivo maior foi cumprido com louvor: ter resultados implantados na prática para melhorar o processo de todos os envolvidos.

A primeira edição foi um projeto mapeado para execução dentro do portfólio estratégico da cooperativa e o Sebrae, que possui expertise e know how nesse tipo de evento, entrou como parceiro. 

Esse trabalho levou cerca de quatro meses e, além das premiadas, outras seis soluções se mostraram totalmente aplicáveis na rotina da cooperativa. 

Precisando de ajuda para inovar nos negócios?

Como funcionou o Hackathon Unimed

Na maratona, os pequenos times, que em cima de um tema proposto buscaram solucionar problemas e encontrar soluções, se debruçaram em problemas que representam setores diferentes da Unimed. 

Cada colaborador do setor trabalhou dando suporte e liderando os times de inscritos no Hackathon, que aconteceu entre sexta à noite até o domingo, fechando 53 horas de maratona.

Na edição de estreia nove problemas de gestão foram resolvidos, enquanto na segunda edição 13 problemas ganharam soluções.

Um bis de respeito

Por esse motivo, organizar a segunda edição não foi menos desafiador. A Unimed Cascavel desejava um evento maior e com entregas ainda melhores.

Dito e feito. 

As inscrições superaram as expectativas, com 20 participantes a mais, o que resultou em 4 equipes extras e mais 4 problemas para serem resolvidos durante a maratona. 

Segundo Everton, novamente a parceria foi fundamental. Com estrutura maior, o evento foi realizado na sede do Sebrae. 

As campeãs do Hackathon Unimed

2019 – 2ª Edição

No total foram entregues R$ 10.000 em dinheiro para as três melhores ideias que serão avaliadas pela cooperativa para possíveis parcerias em novos projetos, conforme já ocorreu na primeira edição do Hackathon.

1º lugar: Equipe Ops Hackathon Trivial com a solução Univend para gestão de vendas e ganhou o prêmio de R$ 6.000.

2º lugar: Equipe Unidev que propôs a solução de Negociação com a Rede Prestadora e ganhou R$ 3.000.

3º lugar: Equipe Unicred com a solução que realiza o faturamento e fechamento dos planos coletivos (pessoa jurídica) e ganhou R$ 1.000.

#leiaTambem4 motivos para criar um MVP antes de lança sua startup

2018 – 1ª Edição

1º lugar: Equipe Glotic com uma solução tecnológica para ganhar agilidade e diminuir as inconveniências diante dos recursos de glosas, dentro da cooperativa de saúde e ganhou R$ 5.000.

2º lugar: Equipe West Software que apresentou uma nova ferramenta para o envio de código de barras aos clientes, facilitando o pagamento de faturas e ganhou R$ 3.000.

3º lugar: Equipe GAP com um sistema para análise e aprovação das contas a pagar, estimulando a agilidade, reduzindo a burocracia e os processos manuais e levou R$ 1.000.

Três nunca é demais

Agora, segundo o gerente de projetos da Unimed, a premissa para continuidade do Hackathon Unimed é lapidar o escopo, no sentido de pensar num universo mais macro de evolução. 

Foram dois anos plantando a semente, agora talvez seja hora de pensar inovação num sentido mais amplo. Mas definitivamente o Hackathon já faz parte do calendário não só da Unimed, mas também da cidade de Cascavel.

Everton Garboça
Gerente de projetos da Unimed Cascavel

Então prepare-se, porque a 3ª edição vem aí!

9 coisas que mudaram após o Hackathon Unimed 

1. Engajamento dos colaboradores

Segundo Everton, assim como com a diretoria, quando o tema foi lançado, alguns colaboradores também se revelaram bastante céticos com relação aos resultados do Hackathon. 

Será que vai ser possível aproveitar algo do evento?

Será que o evento vai melhorar a relação com startups ou com o ecossistema de inovação?

A maior prova foi o resultado prático já na primeira edição. 

Neste ano o time todo estava super engajado e super conectado com o propósito e na busca dos principais problemas da Unimed para propor durante o Hackathon.

Outra resposta imediata (e super positiva) foi com relação ao staff do evento. Afinal três dias, mais de 50 horas de evento, era necessário bastante gente envolvida. 

Everton explica que foi realizada uma pesquisa de interesse para completar cerca de 15 vagas abertas para trabalhar três dias em escala. Em um dia mais de 50 pessoas preencheram o cadastro. 

Nem todo mundo pôde se envolver com a organização, mas mesmo assim quis ter a oportunidade de participar pra ver como é e acompanhar essa galera super enérgica trabalhando três dias a fio. Isso é muito interessante e comprova que o evento também engajou internamente.

Everton Garboça
Gerente de projetos da Unimed Cascavel

2. Pensamento fora da caixa

Compartilhar um problema interno, de determinado departamento, com pessoas estranhas e que não têm absolutamente nada a ver com a rotina da empresa, pode ser intimidador. 

Mas com uma equipe engajada, o Hackathon serviu para agregar valor. 

Amanda Chiodi, analista de Núcleo do Cooperado, que se envolveu diretamente no evento liderando e dando suporte ao trabalho de um dos times do Hackathon, conta que a competição foi uma oportunidade incrível de crescimento profissional e também de melhorar a experiência dos clientes/cooperados.

Ela trabalha em uma área em que tudo funciona em Excel ou agenda de papel e está encantada com a possibilidade de agregar à rotina uma solução prática e tecnológica que pode mudar totalmente a dinâmica do dia a dia no setor.

Essa troca entre os inscritos no Hackathon e os colaboradores da Unimed foi um exercício de empatia. 

Como tudo precisou fluir rapidamente, Amanda revela que em três dias essa relação amadureceu na medida certa e fluiu com muita naturalidade, entendendo o lado do outro para tentar ser o mais claro possível e otimizar tempo para propor a melhor solução. 

Trabalhar com essa galera foi fora de série. Eles nos apresentaram uma visão diferente, mostrando que é possível sair daquele quadradinho da rotina para entrar em um universo totalmente diferente.

Amanda Chiodi
Analista de Núcleo do Cooperado da Unimed

3. Medo de expor problemas

Para Siloaldo Faria, da área de TI da Unimed Cascavel, num primeiro momento assusta pensar que, em essência, o Hackathon significa expor problemas de um setor e procurar solução fora da empresa. 

Mas ter essa geração mais nova, que cria soluções de formas diferentes e trabalha focada no problema, segundo ele, é um caminho ágil e, muitas vezes, com melhor custo benefício de resolver grandes entraves de uma corporação.

Ainda mais quando se tratam de grandes corporações, como a Unimed Cascavel, que atualmente trabalha com quase 50 sistemas e um time de 16 pessoas, o que gera bastante mão de obra.

E graças às duas edições do Hackathon, muita demanda saiu da fila de espera e foi resolvida e, com isso, processos foram melhorados. Tudo por conta das soluções propostas por terceiros durante os eventos, impactando significativamente na maneira de trabalhar dos colaboradores.

Siloaldo Faria
Área de TI da Unimed Cascavel

4. Mudança de mindset

Mindset nada mais é do que algo que move as pessoas a fazer o que elas fazem, do jeito como fazem.

Uma mudança de mindset pode fazer toda a diferença no desenvolvimento profissional e pessoal, revolucionando o jeito de olhar o mundo e resolver problemas. 

Para Julia Barreto da Costa, relações públicas e mentora dos dois Hackathons Unimed, todo evento é um pouquinho diferente, mas ela sempre se encanta com o processo de participar do surgimento de soluções prontas pra rodar e melhorar processos que estão há muito tempo travando o desempenho de setores e os resultados de empresas.

A experiência durante os três dias é muito bacana, mas o aprendizado, que fica pra sempre, é o que esse evento tem de melhor para oferecer. Serve para todos os trabalhos que a gente vai desenvolver. A partir da vivência no Hackathon a gente consegue pensar em como entregar valor, em validação e como fazer as coisas com agilidade.

Julia Barreto da Costa
Relações públicas e mentora

Para ela, essa mudança de mindset acontece tanto entre as pessoas que participam do desenvolvimento das soluções, como entre os colaboradores, quanto para quem está observando, como os mentores. 

E o maior desafio dessa transformação é ver o entrosamento entre as equipes tomar uma direção e ter foco. 

De acordo com Julia, se relacionar e usar as potencialidades de cada um para construir uma coisa legal é algo pra vida toda, mas também é o que leva os times ao pódio do Hackathon Unimed.

5. Abraçar as falhas

Adriano Spanhol, facilitador do Hackathon Unimed, destaca que o ambiente de inovação por natureza é um cenário de erro, em que dificilmente o empreendedor ou uma equipe vai acertar na primeira tentativa. 

A melhor resposta que um processo de inovação aberta pode trazer é: quais são os testes que nós fizemos, os resultados e com quais resultados aprendemos para chegar à inovação. Então o erro é a parte inicial do chegar em algum lugar maior.

Adriano Spanhol
Facilitador Hackathon Unimed

E quando falamos de grandes corporações ou cooperativas, a única pessoa que hoje teria capacidade de errar para poder criar alguma coisa nova é quem está externo ao processo.

Segundo Adriano, uma equipe interna não tem esse hábito ou braço para fazer e nem possui esse tempo de erro.

Por isso, ele considera que o maior ganho do Hackathon Unimed foi propiciar ao time interno um ano de maturação entre os dois eventos para vivenciar essas experiências e assimilar novos processos e metodologias de trabalho internamente.

6. Networking

Vice-campeão da 1ª edição, Vinicius Stanoga, da West Software, marcou presença na segunda edição também como inscrito. 

A equipe desenvolveu uma nova ferramenta para o envio de código de barras aos clientes, facilitando o pagamento de faturas por cooperados. 

Dias depois do Hackathon, Unimed e West Software já acertaram todos os detalhes dessa parceria. E a cooperativa está tão receptiva à inovação que a solução foi ampliada para atender outros setores. 

Deu um match legal, algo que não aconteceria sem as conexões do Hackathon. Estou feliz com a experiência e com os contatos que a gente faz aqui dentro.

Vinicius Stanoga
Vice-campeão do 1º Hackathon Unimed

7. Inovação aberta no radar

Para Osvaldo Brotto, gestor do Projeto Startup do Sebrae/PR – Regional Oeste, o Hackathon Unimed proporcionou um cenário rico para validar conteúdos e soluções que funcionam para grandes empresas. 

A parceria com a Unimed, nas duas edições do Hackathon, forneceu ao Sebrae os subsídios necessários para levar a pauta de inovação aberta para outras organizações. 

Segundo o gestor, o Sebrae possui competência, conteúdo, expertise e pessoas que podem realizar essa ponte entre o universo da inovação, startups e os problemas das grandes empresas.

O impacto disso para o ecossistema é gigantesco. Mais da metade das pessoas que participaram do evento não tinha realizado nenhum tipo de conexão com o Sebrae e agora estão se apoderando do que o ecossistema pode oferecer, com outras parcerias a partir desse evento.

Osvaldo Brotto
Gestor do Projeto Startup do Sebrae/PR – Regional Oeste

8. Defasagem mercadológica

Em busca de experiência de aprender a entender como solucionar problemas do mundo, Fabiano Neumann, empresário da área de Tecnologia e professor da Uniamérica, levou três times de universitários para participar do Hackathon Unimed.

A intenção foi aprofundar a imersão dos acadêmicos nesse universo inovador e deixar de lado a forma tradicional de tentar enquadrar o problema em uma solução pronta.

Fabiano acredita que é vital aos acadêmicos explorar o modelo baseado em resolução de dores reais, testando, validando e tendo contato com os demandantes dos problemas.

Quando eu concluí a faculdade senti um gap gigante em relação a mercado e uma defasagem mercadológica, de visão de mundo e de negócio. Sinto que, enquanto estudante, se eu tivesse passado por processos como o Hackathon teria empreendido com menos sofrimento. Por isso sinto muita vontade de compartilhar, ensinar e conectar a academia com esse universo inovador.

Fabiano Neumann
Empresário da área de Tecnologia e professor da Uniamérica

9. Cultura interna de inovação

A Unimed Cascavel tem cerca de 600 médicos cooperados e mais de 90 mil clientes. 

Investir em ideias inovadoras capazes de solucionar problemas que ajudem a cooperativa de saúde atingir a excelência é, sem dúvida, a premissa do Hackathon Unimed.

Mas o legado disso tudo, para o médico Danilo Galletto, diretor presidente da Unimed Cascavel, é o que fica. De nada adiantam os equipamentos e as ferramentas, se as atitudes permanecem iguais.

Ficamos impressionados com as entregas das equipes, porque é natural acharmos que lidamos com problemas insolúveis. Isso porque muitas vezes ficamos confortáveis em uma situação, esquecemos que o mundo gira e que as coisas mudam em 24 horas. Para acompanhar esse ritmo precisamos construir uma cultura interna de inovação. E isso é o que o Hackathon Unimed tem proporcionado de maior valor para a cooperativa.

Danilo Galletto
Diretor presidente da Unimed Cascavel
mm
Autor

Adoro escrever e dar pitaco sobre tudo, mas tenho carinho por assuntos que ajudam empreendedores, assim como eu, a serem melhores. Jornalista e cofundadora da Rulez.